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Diagnóstico e acompanhamento do TDAH

Existem muitas nuances envolvendo o diagnóstico e o tratamento do TDAH. Conheça um pouco sobre essas particularidades abaixo:

      O TDAH costuma ser visto como uma condição relativamente simples de entender, diagnosticar e tratar. Na prática, porém, a realidade é bem mais complexa. Além das dificuldades relacionadas à atenção, muitas pessoas apresentam alterações em outras funções cognitivas, especialmente nas funções executivas, bem como dificuldades em metacognição, regulação emocional e, em alguns casos, aspectos da cognição social (teoria da mente e outros). Estudos recentes em neuropsicologia têm contribuído para ampliar nossa compreensão sobre essas particularidades e sobre como elas podem afetar o funcionamento no dia a dia.

      Frequentemente, o TDAH coexiste com outras condições, como o transtorno do espectro autista (TEA), transtornos de ansiedade, depressão e transtornos específicos da aprendizagem (como a dislexia), compartilhando, em alguns casos, fatores genéticos e mecanismos neurobiológicos. Por esse motivo, uma avaliação cuidadosa é fundamental para diferenciar essas condições, identificar suas possíveis associações e determinar se os sintomas realmente preenchem critérios diagnósticos.

      Mesmo após o diagnóstico, o tratamento vai além da redução da desatenção ou da impulsividade. Alguns sintomas e componentes do funcionamento cognitivo tendem a responder muito bem às intervenções, enquanto outros podem apresentar resposta mais limitada ou exigir estratégias complementares. Conhecer essas nuances permite estabelecer expectativas realistas e construir um plano terapêutico individualizado.

      Por isso, considero fundamentais os seguintes aspectos durante a avaliação e o acompanhamento:

  • Histórico clínico detalhado, incluindo informações desde a infância e a evolução dos sintomas ao longo da vida.

  • Entrevista neuropsiquiátrica semiestruturada, associada, quando indicado, ao uso de escalas e instrumentos validados para auxiliar o raciocínio diagnóstico.

  • Investigação diagnóstica individualizada, com solicitação de exames complementares apenas quando houver indicação clínica.

  • Discussão dos riscos e benefícios das diferentes opções terapêuticas, incluindo o tratamento farmacológico.

  • Explicação sobre como diferentes sintomas e componentes das funções cognitivas, como a flexibilidade cognitiva, a memória de trabalho e o controle inibitório, podem responder de maneira distinta ao tratamento.

  • Psicoeducação, para que o paciente compreenda melhor as características do TDAH, reconheça como elas influenciam sua rotina e desenvolva estratégias para reduzir seu impacto na vida pessoal, acadêmica e profissional.

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