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Por que as doenças neurodegenerativas acontecem? Há prevenção?

Atualizado: 1 de ago. de 2023

Uma pergunta bastante frequente no consultório do neurologista é: por que doenças como Alzheimer e Parkinson acontecem? Ou, na linguagem rotineira do paciente, “de onde essa doença vem?”. Esse questionamento é esperado dada a natural curiosidade do ser humano e pode revelar um tom de indignação, especialmente quando a doença acontece em idades mais precoces, posto que há um certo verniz de “naturalidade” na senilidade. O exemplo mais claro disso é a interpretação da perda de memória como algo natural e esperado com o avanço da idade, o que, inclusive, causa atrasos no diagnóstico de alguma doença, como no caso das demências.

Muito embora a ciência nem sempre consiga explicar todos os casos, evidências de estudos epidemiológicos mostram que existem vários fatores de risco para as doenças degenerativas, sejam eles modificáveis (relativos ao estilo de vida) ou não (a exemplo dos fatores genéticos). Por exemplo, sabe-se que indivíduos sedentários tem 30% mais chances de desenvolver demência, incluindo a doença de Alzheimer. A atividade física ajuda a controlar outros fatores de risco (como hipertensão e diabetes), e libera substâncias como a irisina e fatores neurotrópicos que possuem efeitos neuroprotetores. Dieta também exerce papel importante: alimentos industrializados (ultraprocessados) promovem inflamação e aumentam o risco de doenças, ao passo que algumas dietas (como a mediterrânea) se associam a um menor risco.

Desde o advento da era industrial e da mecanização e aperfeiçoamento das práticas agropecuárias, o ser humano se expôs a inúmeras substâncias químicas e poluentes. As evidências não são conclusivas, mas é possível que poluição ambiental (a exemplo dos gases da queima de combustíveis fósseis) e herbicidas estejam associados a maior risco de demência e doença de Parkinson. Por exemplo, o paraquat, herbicida cujo uso foi banido no Brasil em 2017 pela ANVISA, possui estrutura química similar a uma substância sabidamente causadora de doença de Parkinson, e alguns estudos mostraram um aumento de até 2x no risco de desenvolver a doença, embora não exista consenso científico acerca dessa associação (o debate acontece até os dias atuais).

O fato é que, com o passar do tempo, nosso organismo ao mesmo tempo envelhece naturalmente e acumula danos em nossas células e material genético, tais que não temos mecanismos suficientes para repará-los e evitar por completo o adoecimento. Dessa forma, a doença acontece como uma expressão de esgotamento do nosso organismo, quando nossos tecidos corporais adoecidos não mais conseguem desempenhar suas funções. A medicina desempenha papel fundamental na identificação dos fatores de risco para o adoecimento e na elaboração de estratégias para prevenção.



Referências:

  1. Hamer, M., & Chida, Y. (2009). Physical activity and risk of neurodegenerative disease: a systematic review of prospective evidence. Psychological medicine, 39(1), 3–11. https://doi.org/10.1017/S0033291708003681.

  2. Kamel F. (2013). Epidemiology. Paths from pesticides to Parkinson's. Science (New York, N.Y.), 341(6147), 722–723. https://doi.org/10.1126/science.1243619.

 
 
 

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